Moleskine

September 15, 2008

Mil quinhentos e dois mil e oito!

Filed under: governança — isabelcolucci @ 11:14 pm

Há uma frase de um vampiro célebre que diz que o maior mal de ser imortal é ver a humanidade repetir os mesmos erros século após século.

Lendo isso, faz todo o sentido.

THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade - Uma teoria social da mídia:

(…) Na França, por exemplo, um decreto real de 18 de março de 1521 ordenou ao Parlamento a garantir que nenhum trabalho fosse publicado sem ter a licença da Universidade de Paris, e em 13 de outubro de 1521 o Parlamento embargou a publicação e a venda de escritos sobre as Escrituras que não tivessem sido aprovadas pela faculdade de Teologia da Universidade.  Mas esses decretos e embargos tiveram efeitos limitados. Muitos editores migragram para cidades além das fronteiras francesas, como Antuérpia, Estrasburgo e Basiléia, e imprimiram material para exportação clandestina. Grande quantidade de material foi produzido e contrabandeado para a França por mercadores e mascates. Surgiram organizações ilícitas e especialistas na distribuição de livros proibidos. Renovadas tentativas se fizeram para castigar o comércio de obras banidas, seguindo o “affaire des placards”, e Francisco I ordenou uma série de execuções espetaculares nas quais editores e livreiros foram levados à fogueira.

(- Lembra algo que parece atual?)

O comércio, todavia, continuou. Havia simplesmente muitas tipografias e muitos modos de transportar livros através das fronteiras para que o comércio fosse efetivamente controlado por decretos papais ou reais.

(Ufa!)

September 1, 2008

Bifurcação à vista

Filed under: cidadania — isabelcolucci @ 11:04 pm

Esse post foi escrito pela primeira vez no meu outro blog - este aqui ainda não existia.
Como foi ele um dos responsáveis por eu criar um blog de conteúdo segmentado, trouxe-o para cá.

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Como todos, ou muitos, sabem, estamos em um momento em que vários recursos possibilitados pela tecnologia ainda não estão regulamentados. A imagem que a tal da ‘governança da internet’ faz brotar na minha cabeça é a de um novelo de lã emaranhado, com um monte de gatos engravatados em volta com cara de dúvida e para desenrolar. De qualquer forma, um dia, alguma legislação vai haver - seja uma criada para isso, ou uma que se construirá em cima de precedentes de ações anteriores.

O que me chamou a atenção é que nós ainda não sabemos se coisas que hoje fazem parte do nosso cotidiano vão virar um direito ou um crime.

Estamos vivendo o momento que antecede essa bifurcação. Pode ser que, daqui a pouco, você não possa mais participar de realidades alternativas, como o moribundo second life, ou ter múltiplas identidades na rede (vários perfis no orkut, por exemplo). Pode ser também que isso seja um direito seu, garantido por lei.

Interessante pensar que nós vamos ver essa transição (e, tomara, fazer força para um lado).

Sobre cidadania, igualdade e poder de articulação de idéias

Filed under: cidadania — isabelcolucci @ 10:12 pm

‘Comunicação e cidadania’ é o tema do primeiro módulo da disciplina que estou cursando no Mestrado.

Para o nosso segunda encontro, lemos o terceiro capítulo de Cidadania, classe social e status, de Thomas Marshall, e alguns capítulos de História da Cidadania, organizado por Jaime Pinsky e Carla Bassanezi.

Cada sublinhado que fiz nestes textos poderia dar um post. Vou elencar aqui dois que me chamaram muito a atenção:

Marshall:

1. Pág 80 (…) O status uniforme de cidadania ofereceu o fundamento da igualdade sobre a qual a estrutura da desigualdade foi edificada

- A construção do conceito de cidadania e a aquisição de direitos iguais a todas as classes sociais são contemporâneas ao fortalecimento do capitalismo. Essa aparente contradição se explica pelo fato de que os primeiros direitos conquistados pelo homem foram justamente aqueles que basearam a instauração do livre mercado. Neste contexto de se exaltar a liberdade, direitos como o salário mínimo foram negados com o argumento de que seriam uma afronta à individualidade do cidadão em escolher por quanto ele aceitaria vender sua força de trabalho. O que pairava era o entendimento de que todos era iguais, pois tinham liberdade para trabalhar e consquistar suas propriedades, todos eram livres para ascender socialmente. O trabalho, e não a remuneração mínima, é que era um direito.

2. Divisão quantitativa e qualitativa de cidadania

Em seu texto, Marshall sugere a desigualdade quantitativa (econômica) seria legitima. Para ele, há de haver não-proprietários para trabalhar para os proprietários. No entanto, ele condena que essa divisão resulte em cidadãos mais ou menos sofisticados, articulados. Defende um tipo de sociedade onde todos possam participar do coletivo integralmente, onde todos sejam ‘cidadãos completos’.

Essa história de ‘cidadão completo/incompleto’ imediatamente me lembrou do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Em uma das passagens, o autor narra os pensamentos que passam pela mente do pai da família de retirantes, Fabiano. Descritas pelo narrador, as idéias são claras e bem ponderadas, mas quando chegam à fala de Fabiano viram grunhidos, pois ele não tem a articulação necessária sequer para interpretar o que pensa sobre as situações a que é submetido. Fiz uma paródia sobre isso, mesclando esse trecho do livro com frases de 1984, de Orwell, para uma disciplina da Faculdade. Está no meu blog não-temático.

Meu questionamento sobre isso é: quão dependente uma da outra são as desigualdades quantitativas e qualitativas? Será que a desigualdade econômica sobreviveria se todos pudessem compreender e participar igualmente do mundo em que vivem?

Argumentaram na aula que isso já acontece em países como a Suécia. Lá, disseram, há desigualdade econômica (não proprietários trabalham para proprietários) e todos têm acesso à educação e à participação na comunidade em que vivem de forma igual. Eu ainda assim tenho minhas dúvidas. Concordo com uma frase que ouvi não lembro onde que dizia que a existência de certos empregos dependem da ignorância dos que o executam sobre determinados assuntos. Acho que só vou chegar a uma conclusão quando descobrir como funciona um callcenter suéco.

August 31, 2008

Olá

Filed under: metapost — isabelcolucci @ 8:39 pm

Esse é o primeiro post deste blog.

O Moleskine nasceu da necessidade em organizar minha vida online.

Há um ano, mantenho um blog onde despejo todo tipo de conteúdo. Achei importante separar em razão do público a quem me dirijo em cada assunto. Aqui, quero falar sobre rede, conexão de pessoas, fluxo de informação, mídia, cultura digital e outros assuntos relacionados. Lá, continuarei com meus pensamentos em voz alta, sobre mundo, livros, filmes, devaneios, percepções e etc.

Vez por outra, um post poderá ser adequado aos dois lugares. Confesso que ainda não sei como vou agir nestes casos. Por enquanto, vamos às providências práticas. Ainda preciso passar para cá o domínio “isabelcolucci.com” e registrar o oguaxinim.com.br para o outro blog.

Ah, faltou explicar o nome do blog! Moleskine é um tipo de caderno de bolso, normalmente usado para registrar as coisas na hora que elas acontecem ou vêm à cabeça. Como pretendo escrever aqui o que for aprendendo e refletindo, achei que era um nome apropriado!

Em suma: sejam bem-vindos :)

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